Mbunas e Haplochromis


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A quantidade e diversidade de espécies existentes no Lago Malawi tornam por vezes muito difícil a escolha dos peixes que desejamos manter em nossos aquários. As diferentes necessidades das espécies, tanto a nível nutricional como comportamental, nem sempre permitem a junção dos distintos grupos existentes no grande lago africano. É muito comum surgirem dúvidas na manutenção de Mbunas (rock-dwellers) com Haps, olvidando-se uma série de factores que levam ao insucesso do biótopo e simultaneamente à sua extinção.

 

Antes de analisarmos a dieta alimentar destes dois grupos, factor preponderante para a sua manutenção em simultâneo, é de realçar a importância do tamanho do aquário e respectivo volume, sendo de considerar um mínimo de 150cm de comprimento e pelo menos 350 litros úteis. Contrariamente aos mbunas, os Haps cruzam as águas abertas do lago e raramente são vistos em grupos e muito menos habitando as zonas rochosas, pelo que o espaço em extensão é decisivo para o seu desenvolvimento. Por outro lado, um aquário grande permite recriar zonas distintas e que satisfazem tanto as necessidades dos mbunas (zonas rochosas) como dos Haps (zonas extensas de areia). A presença de zonas rochosas, para além da sua importância no estabelecimento de hierarquias entre mbunas através da definição de territórios, protegem-nos igualmente de possíveis ataques por parte de alguns haplochromis e é precisamente aqui que entra a questão nutricional.

 

Derivados do género Haplochromis Hilgendorf, estas espécies são maioritariamente carnívoras (piscívoras) e no seu encalço encontram-se os pequenos mbunas. Com uma morfologia anatómica que lhes permite rapidez na perseguição, caçam eficazmente pequenos peixes que num ápice são degustados nas suas enormes bocas. No entanto, apesar de tudo os Haps apresentam uma agressividade inferior à dos mbunas e desde que bem considerada a compatibilidade entre espécies não representam grandes problemas num aquário mesclado de ambos os grupos e com as medidas e volume aconselhados. No gráfico que a seguir se apresenta podemos constatar que em termos de agressividade os mbunas conseguem superiorizar-se, nomeadamente os géneros Melanochromis; Metriaclima e Pseudotropheus:

 

 

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O maior problema no que diz respeito à dieta alimentar reside nos rock-dwellers que, salvo algumas excepções (género Labidochromis, por exemplo) são exclusivamente herbívoros, alimentando-se de pequenas algas que cobrem constantemente as zonas rochosas onde habitam e de pequenos crustáceos e alguns insectos que se encontram no meio das mesmas. Os longos intestinos destes peixes, preparados para uma dieta herbívora, acabam por bloquear se erradamente os alimentarmos com excesso de proteína animal. Por esse motivo, será de evitar a administração em excesso de larvas de mosquito vermelho ou negra e todos os compostos que contenham proteína animal, sob pena de virem a padecer do tão temido Malawi Bloat. Assim sendo, qual a dieta alimentar indicada para estes dois grupos? Todo o tipo de flocos ou granulados que contenham o mínimo de proteína animal e que desta forma nos permitam equilibrar a nutrição simultânea de haps e mbunas, complementando com alguns vegetais frescos (espinafres, por exemplo) ou misturados em papa caseira e que assegurem as necessidades específicas dos mbunas (alto índice de vegetais e fibras). É natural que os Haplochromis não comam determinados alimentos direccionados para os mbunas e nem tão pouco lhes achem piada, no entanto conseguimos contrabalançar a nutrição para ambos os grupos.

 

Para concluir, resta-me apenas dizer que os parâmetros químicos da água, assim como a temperatura, são exactamente os mesmos e que por isso mesmo não constituem motivo impeditivo na mistura destes dois grupos do Lago Malawi. O sucesso reside somente no tamanho do aquário e na exacta compreensão do seu modo de vida, mormente dos hábitos alimentares e da sua sociabilidade.

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Marco D'Oliveira Monteiro

APC #195

 

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